Nos dias de hoje, com a velocidade em que as tecnologias evoluem e as ferramentas de IA estão revolucionando a forma como codificamos, a discussão sobre dívida técnica nunca foi tão pertinente. Recentemente, no QCon London 2026, Joy Ebertz, uma engenheira principal na Imprint, trouxe à tona conceitos que nos fazem repensar o modo como encaramos essa dívida. Não é mais sobre eliminar toda e qualquer dívida técnica, mas sim, sobre priorizar aquela que realmente faz a diferença.

Introdução

É comum ouvir a frase "precisamos eliminar a dívida técnica" em reuniões de equipe, mas será que essa é a abordagem correta? A verdade é que não existe um “tamanho único” para resolver esses problemas. Joy Ebertz nos lembra que ter um código perfeito não vale nada se a empresa não sobreviver. O foco deve ser em desenvolver o melhor software possível, dado o contexto em que estamos inseridos.

O framework de priorização

No seu talk, Ebertz apresentou um framework prático em seis perguntas que ajudam as equipes de engenharia a avaliar e priorizar a dívida técnica. Vamos dar uma olhada mais de perto em cada uma delas.

1. Qual é o custo se não fizermos nada?

Essa pergunta é crucial. Precisamos entender o impacto da dívida técnica em diversas frentes, desde a perda de usuários até a rotatividade de desenvolvedores. Situações como "ticking time bombs", onde problemas de escala ou vulnerabilidades de segurança podem explodir a qualquer momento, precisam ser mapeadas.

2. Qual é o custo de consertá-la?

Fixar a dívida técnica pode ter um custo alto, incluindo tempo de treinamento e possíveis surpresas durante o processo. Um exemplo. que Ebertz trouxe foi de uma migração de sistma onde uma funcionalidade inteira foi perdida. É vital ter uma visão clara dos custos envolvidos antes de partir para a ação.

3. Precisamos consertar da forma correta?

Às vezes, um conserto "80%" pode ser mais que suficiente. Ebertz dá exemplos práticos, como scripts noturnos de limpeza de banco de dados ou limites hard-coded que podem resolver problemas de forma rápida e eficaz, em comparação a soluções elaboradas que podem demorar semanas.

4. É o momento certo para agir?

É importante avaliar se o sistema está piorando ou melhorando com o tempo. E, claro, novas ferramentas de IA podem facilitar refatorações no futuro. Não adianta correr se o contexto não é favorável.

5. Conseguiremos levar o projeto até o fim?

A história de um código PHP que nunca finalizou suas migrações é um bom lembrete de que devemos ter certeza de que a equipe tem capacidade e recursos para concluir o que começa. Não é só sobre iniciar, mas sobre terminar bem.

6. Um projeto realmente vai melhorar a situação?

É fácil se perder nos aspectos negativos do sistema atual e esquecer os pontos positivos. Ebertz sugere que se construam checkpoints para reavaliar se a migração ainda faz sentido. Às vezes, o que temos pode ser melhor do que o que estamos tentando alcançar.

Dicas avançadas para lidar com a dívida técnica

Além das perguntas apresentadas, existem algumas dicas e truques que podem ajudar na gestão da dívida técnica:

Considerações finais

No final das contas, a gestão da dívida técnica é mais sobre estratégia do que sobre eliminação. A abordagem deve ser adaptável e pragmática. Como sempre digo, não há um caminho único para o sucesso em tecnologia, e a chave é saber onde investir seu tempo e esforço. É melhor fazer o que é mais impactante agora, do que tentar resolver tudo de uma vez e acabar não resolvendo nada.

Enfim, a dívida técnica é inevitável, mas com um olhar cuidadoso e uma estratégia bem definida, podemos transformar esse desafio em uma oportunidade de crescimento e melhoria contínua.