Nos últimos anos, a revolução da inteligência artificial (IA) tem atraído bilhões de dólares em investimentos, mas nem tudo que brilha é ouro. A cada dia, mais startups estão adicionando “AI” ao seu nome, mas a verdade é que muitas dessas ideias estão se tornando obsoletas diante das exigências dos investidores. O que será que eles realmente estão buscando em empresas de software como serviço (SaaS) que utilizam IA?
O que os investidores estão evitando
Conversando com alguns venture capitalists, fica claro que existem categorias de SaaS que estão cada vez mais fora de moda. Segundo Aaron Holiday, sócio da 645 Ventures, os investidores estão de olho em startups que estão criando infraestruturas nativas de IA, SaaS verticais com dado proprietário, sistemas que ajudam os usuários a completar tarefas e plataformas que estão profundamente integradas em fluxos de trabalho críticos. Por outro lado, soluções que oferecem apenas camadas de fluxo de trabalho finas, ferramentas horizontais genéricas e análises superficiais estão caindo em desgraça.
Dificuldades em se destacar
Um ponto interessante, levantado por Abdul Abdirahman da F Prime, é que softwares verticais genéricos, sem moats de dados proprietários, estão perdendo apelo. Igor Ryabenky, da AltaIR Capital, reforça essa ideia: se a diferenciação de um produto se baseia apenas na interface e na automação, isso não é mais suficiente. Com as barreiras de entrada caindo, a construção de um verdadeiro moat está se tornando uma tarefa cada vez mais difícil.
O que realmente importa
Os novos players no mercado precisam focar em propriadade real do fluxo de trabalho e uma clara compreensão do problema. desde o início. Não adianta ter um código robusto se a velocidade e a capacidade de adaptação são mais valorizadas agora. Modelos de preços rígidos, por exenplo, estão ficando para trás; modelos de consumo são mais atrativos nesse cenário.
O futuro da gestão de fluxo de trabalho
Jake Saper, da Emergence Capital, faz uma comparação interessante entre produtos que lidam com o “stickiness” do fluxo de trabalho. Ele acredita que, com o avanço da automação, atrair humanos para utilizar seu software pode se tornar uma batalha difícil. Afinal, se os agentes estão fazendo o trabalho, qual a importância do fluxo de trabalho humano?
Além disso, as integrações estão perdendo popularidade. A introdução do protocolo de contexto de modelo (MCP) da Anthropic facilita a conexão de modelos de IA a dados e sistemas externos, eliminando a necessidade de múltiplas integrações. Isso faz com que ser um conector, que era um grande diferencial, se torne algo mais utilitário.
Dicas para se destacar no mercado
Se você está pensando em entrar nesse mercado, aqui vão algumas dicas importantes:
- Foque em profundidade e expertise: Construa ferramentas que estejam embutidas em fluxos de trabalho críticos.
- Integre a IA profundamente: Não basta adicionar IA como um recurso, ela deve estar no cerne do produto.
- Atualize sua estratégia de marketing: Mostre claramente como seu produto resolve problemas reais e traz valor.
Conclusão
A verdade é que o cenário de investimentos em IA está mudando rapidamente. Para os arquitetos de software e desenvolvedores, isso significa que precisamos nos adaptar. O que os investidores querem são soluções que realmente façam a diferença, que tenham profundidade e que estejam integradas a processos críticos. Portanto, não se deixe levar pela onda da IA se você não tiver algo realmente inovador e valioso a oferecer.
O futuro pertence àqueles que conseguem unir tecnologia e necessidade real, e isso é algo que não devemos esquecer.